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Um dos temas caros à crítica de processos, conforme proposta por Cecilia Almeida Salles, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, é o das práticas comunicativas. Sob este viés, a teórica aponta para a... more
Um dos temas caros à crítica de processos, conforme proposta por Cecilia Almeida Salles, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, é o das práticas comunicativas. Sob este viés, a teórica aponta para a criação como "uma ten-dência para o outro em vários sentidos" (SALLES, 2002, p. 68). Aqui, trazemos um estu-do que tem o potencial de revelar algumas dimensões dessas práticas, no que diz respeito especialmente ao desejo do encontro com o espectador. Além da crítica de processos de Salles, outros teóricos colaboram para essa investiga-ção, entre eles, Gilbert Simondon, Jacques Rancière, Georges Didi-Huberman, Vincent Colapietro e Charles Sanders Peirce, esses dois últimos em diálogo direto com Salles. Trata-se de um esforço que exemplifica os trabalhos multidisciplinares desenvolvidos no Grupo de Pesquisa em Processos de Cri-ação (CNPq) da PUC-SP, em diferentes linguagens e sob diversos enfoques da criação. Acreditamos que, ao assumir a obra como catalisadora de fenômenos culturais, agregados por um sujeito, nos afastamos da "tentação de compreender os processos criativos na rela-ção direta entre o fato vivido e a obra ficcional" (SALLES, 2006, p. 70), e é isso o que buscamos aqui, tomando como elo a relação com o espectador e o referencial da crítica de processos.
Das muitas formas de planejar um flme, o roteiro é uma delas. Nem sempre, mas muitas vezes, uma das primeiras. Antes de existir em filme, o flme existe em roteiro, por mais simples que seja esse roteiro. Um lugar de filme imaginado. O... more
Das muitas formas de planejar um flme, o roteiro é uma delas. Nem sempre, mas muitas vezes, uma das primeiras. Antes de existir em filme, o flme existe em roteiro, por mais simples que seja esse roteiro. Um lugar de filme imaginado. O “sonho do flme” como na fala de Carrière (2006). Por que sonhar o filme? Por que pensar roteiros? Cada cineasta carrega suas respostas. Nesta pesquisa, trazemos os relatos de alguns cineastas brasileiros a respeito de seus trabalhos com o roteiro, entre outras coisas, como ferramentas de experimentação. Entre os cineastas estudados, em uma perspectiva complementar, estão Karim Aïnouz, Anna Muylaert, Eliane Caffé, Hilton Lacerda e Cao Guimarães. Embasam a reflexão principalmente as abordagens da complexidade, da cultura e da semiose peirceana, via a crítica de processos de Cecília A. Salles.
É recorrente entre os roteiristas a metáfora do roteiro como um plano de voo, um dos roteiristas a citar essa metáfora foi Karim Ainouz, em um encontro de roteiristas em Curitiba (Ficção Viva II, 2013), ao falar do roteiro como um “mapa... more
É recorrente entre os roteiristas a metáfora do roteiro como um plano de voo, um dos roteiristas a citar essa metáfora foi Karim Ainouz, em um encontro de roteiristas em Curitiba (Ficção Viva II, 2013), ao falar do roteiro como um “mapa de voo”. Nele, o cineasta enumerou alguns momentos em que o fato de escrever o roteiro o tornou, em diferentes estágios da criação dos filmes, mais livre para experimentar, aproximando o roteiro da experimentação artística dentro do contexto da criação coletiva do cinema. Outros cineastas como Eliane Caffé, Anna Muylaert e Hilton Lacerda também relatam, em diferentes registros de processo (entrevistas, relatos, debates abertos, textos de abertura de versões publicadas de roteiro...), um maior grau de experimentação e de abertura para o acaso no processo dos seus filmes, possibilitados em grande parte pelo trabalho com a escrita do roteiro. Diferentemente de pensar o roteiro como uma peça “engessadora”, eles falam do roteiro como uma peça “libertadora”, como um plano para alcançar maiores voos. Por fim relacionamos a experiência desses quatro cineastas à experiência do cineasta Cao Guimarães, que fala preferir escrever o roteiro no gesto da montagem. Com base em diferentes registros de processo desses cineastas, analisaremos aqui alguns relatos, roteiros e filmes, em uma perspectiva complementar, de modo a levantar questões acerca da potencialidade do roteiro como ferramenta de experimentação. Dão suporte teórico e metodológico a esta investigação as abordagens da complexidade, da cultura e da semiose peirceana via a crítica de processos de Cecília A. Salles e da narrativa como um expediente ontológico e, por isso, não exclusivo da linguagem verbal, conforme Paul Ricoeur.
O estudo do processo de criação nos coloca diante de uma diversidade de práticas, sujeitos e procedimentos de criação; o que nos faz olhar para o roteiro de uma maneira menos determinista e mais aberta à diversidade de modos de... more
O estudo do processo de criação nos coloca diante de uma diversidade de práticas, sujeitos e procedimentos de criação; o que nos faz olhar para o roteiro de uma maneira menos determinista e mais aberta à diversidade de modos de apropriação dessa ferramenta por parte de cada realizador em meio ao processo de criação cinematográfico. Em um encontro de roteiristas promovido pelo CANNE em Pernambuco, intitulado Narrativa audiovisual contemporânea (2015), Karim Ainouz iniciou sua fala afirmando que, para ele, um filme tem na verdade três roteiros: um pensado com letras antes das filmagens, um que se escreve na realidade do set e outro que se escreve sem letras no gesto da montagem. O pensamento presente nessa afirmação expõe a base deste estudo: o roteiro como construção. No momento, dos vários modos de olhar para o roteiro sob a perspectiva de processo, nos concentramos aqui no uso do roteiro como ferramenta de experimentação. Tomamos para isso cinco roteiristas-diretores do cinema brasileiro contemporâneo que fazem uso largo desse procedimento, cada um a seu modo, conforme discutiremos: Karim Ainouz, Anna Muylaert, Eliane Caffé, Cao Guimarães e Hilton Lacerda. O recorte do roteirista-diretor se deu pelo desejo de acompanhar o percurso do roteiro ao longo do próprio processo de criação dos filmes, sua relação com a equipe e com o projeto poético de cada cineasta. Sem deixar de considerar que também determinaram o recorte o fato do roteirista-diretor ser uma figura recorrente na história do cinema brasileiro e por existir disponível uma quantidade maior de registros de processo desses cineastas, e que eram fundamentais à pesquisa (filmes, roteiros, entrevistas, vídeos making of etc.). Contribuíram para a reflexão as abordagens da complexidade, da cultura e da semiose peirceana via a crítica de processos de Cecília Almeida Salles, conforme desenvolvida no grupo de pesquisa em Processos de criação do Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP.

Palavras-chave: processo de criação; roteiro; experimentação; cinema brasileiro contemporâneo.
Os registros do processo de criação em Sofia Coppola apontam para uma tendência do seu projeto poético, a busca pela jornada íntima dos personagens. Com base nessa tendência, analisaremos os clímaces dos filmes The Virgin Suicides (1999);... more
Os registros do processo de criação em Sofia Coppola apontam para uma tendência do seu projeto poético, a busca pela jornada íntima dos personagens. Com base nessa tendência, analisaremos os clímaces dos filmes The Virgin Suicides (1999); Lost in Translation (2003); Marie Antoinette (2006); Somewhere (2010) e The Bling Ring (2013) em uma perspectiva relacional. Esta pesquisa encontra apoio teórico e metodológico na crítica de processos de Cecília A. Salles, conforme estudada no grupo de pesquisa em Processos de criação (CNPq) do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, e nos conceitos de jornada do mitólogo Joseph Campbell (1990; 2007; 2008) e de clímax e ideia governante de Robert McKee (2006).
O presente artigo analisa a relação entre autoria e colaboração no cinema, a partir do estudo de caso da direção de arte no filme Maria Antonieta (2006) de Sofia Coppola. Entende-se aqui “autoria” como a existência de um projeto poético... more
O presente artigo analisa a relação entre autoria e colaboração no cinema, a partir do estudo de caso da direção de arte no filme Maria Antonieta (2006) de Sofia Coppola. Entende-se aqui “autoria” como a existência de um projeto poético pessoal para o filme. E “colaboração” como o trabalho de equipe conforme ocorre no cinema. São analisadas entrevistas publicadas em sites, jornais e revistas do período de lançamento do filme; a filmografia da equipe envolvida; o making of do filme; o press kit do Festival de Cannes de 2006 e as production notes publicadas no site oficial do filme.

Palavras-chave: autoria, colaboração, processo de criação, cinema, direção de arte.

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This paper analyzes the relationship between authorship and collaboration in movies, using the production design of Sofia Coppola’s movie Marie Antoinette (2006) as a case study. Here, “authorship” is perceived as the existence of a personal poetic project for the movie, and “collaboration” is the teamwork as it happens in the making of movies. Several sources were analyzed, such as interviews published in websites, newspapers and magazines from the period that the movie was released; the team’s filmography; the making of feature film; the press kit of 2006 Cannes Festival and the production notes that were published on the movie’s official website.

Keywords: authorship, collaboration, creation process, cinema, production design.
Sofia Coppola tinha um projeto pessoal, apresentar ao público o ponto de vista da rainha Maria Antonieta. Para isso, decidiu buscar a jornada intimista da personagem histórica. O diálogo com seus colaboradores foi fundamental neste... more
Sofia Coppola tinha um projeto pessoal, apresentar ao público o ponto de vista da rainha Maria Antonieta. Para isso, decidiu buscar a jornada intimista da personagem histórica. O diálogo com seus colaboradores foi fundamental neste caminho. Entre eles, o diretor de arte KK Barret e a figurinista Milena Canonero. Esta pesquisa tem por objetivo investigar a construção da jornada intimista em Maria Antonieta de Sofia Coppola, com foco no trabalho da direção de arte, a partir das relações entre autoria e colaboração. Entende-se aqui “autoria” como a existência de um projeto poético pessoal para o filme. E “colaboração” como o trabalho de equipe conforme ocorre no cinema. Engenhosamente dividido em equipes (arte, fotografia, música, dramaturgia etc.), o processo criativo no cinema se dá exatamente da comunicação entre essas equipes. A direção de arte é a responsável pelo conceito visual do filme, operando no campo da construção dos elementos visuais: cenário, figurino, maquiagem, objetos etc; trabalho fundamental para o desenvolvimento do projeto poético de Sofia Coppola (a criação de um jornada intimista), uma vez que os documentos de processo revelam uma cineasta interessada em contar a história bem mais por seus elementos visuais do que pela fala dos personagens. A partir deste estudo de caso, em vista da importância da equipe de arte para o filme, foi possível constatar que, mesmo que seja possível falar em autoria dentro do processo colaborativo do cinema - aqui percebido pela presença de um projeto poético pessoal centrado na figura da diretora e roteirista Sofia Coppola - essa autoria é também alimentada pela complexidade das relações do trabalho de equipe no cinema. Para esse entendimento, foi fundamental o pensamento metodológico da crítica de processo proposta pela pesquisadora Cecília Almeida Salles. Compuseram nosso corpus de investigação os seguintes documentos de processo: o filme Maria Antonieta, o vídeo making of que acompanha o DVD, as production notes disponibilizadas no site oficial, o press kit do festival de Cannes, o livro da biografa Antonia Fraser que inspirou o filme, o roteiro publicado, além de entrevistas em sites, jornais e revistas. Contribuiram também materiais de mesma natureza a repeito dos outros filmes da cineasta e de sua equipe, afirmando nossa perspectiva relacional diante do processo criativo.
The aim of this work is to discuss and deepen the creative process of the first feature-length film by the young Brazilian filmmaker Leonardo Mouramateus, António um dois três, which has, as setting and inspiration the city of Lisbon,... more
The aim of this work is to discuss and deepen the creative process of the first  feature-length film by the young Brazilian filmmaker Leonardo Mouramateus, António um dois três, which has, as setting and inspiration the city of Lisbon, its streets and windows, together with the Portuguese team with whom he created the film.
In the e-mail that he sent the script and his dissertation letter on the process of creation of the film, he stressed that the document was, in effect, a “””script””” (with many quotation marks), one of the last versions of the film, solely for the purposes of bureaucratic registration requirements at ANCINE, the Brazilian Film Agency, emphasizing that, to him, “there is no script, only game.”
In books and handbooks on cinema, we find fairly complex definitions of what a script is, or how it should be written, this hybrid genre between literary writing and a handbook of instructions, this “in-between” genre – a potential text, a pre-viewed and rehearsed praxis in writing. From handbooks instructions what remains is what is not there.
The film and Mouramateus’ process, which is not solely confined to Antonio um dois três, but encompasses the many short films that he made, raised issues regarding the concept of script writing. Not for the sake of definition or closure, but as an endeavor of seeking, in the study of the creative practices of this film, to expand the idea of script, bringing it closer to what is more essential to it: imagining and enable imagining films – the primary function of any script, through verbal resources whether written or not.
We thus opted for viewing the script as a state of imagination. Or, as Mouramateus says, a game.
For an analysis of these materials, we found theoretical and methodological inputs in Cecilia Almeida Salles’ criticism of creative processes, and in the proposal of narrative as a process by Paul Ricouer; in Gaston Bachelard’s concepts of poetic imagination; Dietmar Kamper’s power of imagination and imaginary orbit; Hans Benting’s endogenous images; and of the visuality and mental cinemas of Italo Calvino.
A proposta desta fala é essencialmente de fundo teórico, embora sua reflexão tenha surgido da observação de práticas comunicativas do universo do roteiro cinematográfico. Com base em uma pequena revisão das teorias da comunicação, em... more
A proposta desta fala é essencialmente de fundo teórico, embora sua reflexão tenha surgido da observação de práticas comunicativas do universo do roteiro cinematográfico.

Com base em uma pequena revisão das teorias da comunicação, em uma visita aos lugares da emissão e da recepção como locais de criação, sob a perspectiva de que, sem estabelecr vínculo com as imagens internas dos sujeitos da comunicação, por falta de continuidade dos signos e da significação, não estaríamos a falar de um processo de comunicação, mas apenas a utilizar-se de fantasmas de vínculos para simular sistemas comunicativos aparentes.

Esta reflexão se alimenta do estudo das práticas de roteiro no cinema brasileiro contemporâneo, ao se indagar sobre o próprio conceito de roteiro e de cinema, e ao considerar para esta investigação também os roteiros não verbais e os cinemas mentais ou imaginados, por roteiristas, equipe, elenco e espectadores. O trabalho do roteirista conta exatamente com a capacidade do outro sujeito da comunicação de imaginar filmes e de construir imagens internas que estabeleçam vínculos com a proposta de criação do filme.

Sob essa perspectiva, escolhemos olhar para a criação como parte inerente ao próprio processo de comunicação. O que nos leva a discutir questões relativas, entre outras, à diversidade de inputs e à desejada-embora relativa-autonomia diante da criação de imagens internas por parte de cada sujeito da comunicação, ponto em que nos toca a reflexão sobre a literacia dos médias nos dias de hoje.

Colaboram com esta reflexão especialmente a crítica de processo de Cecília Almeida Salles desenvolvida no Grupo de Pesquisa em Processos de Criação (CNPq), do Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP, do qual esta pesquisa é parte, em diálogo com os estudos de literacia fílmica de Mirian Tavares e Victor-Reia Baptista, a fim de experimentar um olhar para os espectadores também como sujeitos da criação.

Palavras-chave: processo de criação; teorias da comunicação; sujeitos da comunicação e da criação; literacia, práticas de roteiro.
O espectador fílmico, como sujeito ativo e encarnado, está inserido na história da arte e do cinema amplamente, e dialoga também com as estratégias de criação. Esta comunicação trata das práticas de roteiro (guião) de alguns cineastas... more
O espectador fílmico, como sujeito ativo e encarnado, está inserido na história da arte e do cinema amplamente, e dialoga também com as estratégias de criação. Esta comunicação trata das práticas de roteiro (guião) de alguns cineastas brasileiros contemporâneos, em um olhar de continuidade da criação no espectador. Estão entre os cineastas cujos processos são estudados Anna Muylaert, Eliane Caffé e Cao Guimarães. A análise se dá por meio do estudo das práticas comunicativas e das estratégias de criação identificadas nos registros de processo de criação (roteiros, relatos e entrevistas) dos cineastas estudados e encontra aporte teórico e metodológico para a análise desses materiais na crítica de processos de Cecília Almeida Salles e nos estudos de literacia fílmica de Mirian Tavares e Vítor Reia-Baptista. Complementarmente, auxiliam na investigação os conceitos de continuidade da mente, de Charles Sanders Peirce, e de narrativa como processo, do filósofo da linguagem Paul Ricoeur. Tem como pergunta norteadora: como se constrói a narrativa no cinema ao longo do processo de criação do roteiro, diante do olhar de continuidade da criação no espectador? Motivada pela análise dos registros de processo e pela bibliografia em questão, a pesquisa propõe um olhar para a narrativa cinematográfica como um contínuo, a passar de um sujeito a outro, em uma espécie de cocriação permanente, em um abraço teórico entre a crítica de processos e os estudos de literacia fílmica. Busca modos de pensar o processo criativo no espectador, discutindo a figura do leitor de cinema como parte criativa do processo, com enfoque especial para as práticas de roteiro. A pesquisa está a desenvolver-se em conjunto com o Grupo de Pesquisa em Processos de Criação do Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP e com o Centro de Investigação em Artes e Comunicação – CIAC, da Universidade do Algarve, atualmente em estágio de doutoramento sanduíche.
Quais os lugares da criação para o estudo do roteiro? Só os roteiros verbais escritos? E como se dá o estudo de processo diante dos relatos de alguns realizadores cujos roteiros não se limitam à forma verbal escrita? São questionamentos... more
Quais os lugares da criação para o estudo do roteiro? Só os roteiros verbais escritos? E como se dá o estudo de processo diante dos relatos de alguns realizadores cujos roteiros não se limitam à forma verbal escrita? São questionamentos que embasam esta pequena discussão acerca da construção do roteiro e da narrativa no cinema e os meios materiais por onde acessar esses estudos. Aproveitamos as discussões propostas pelo GT “Arquivos contemporâneos” para pensar o estudo genético do roteiro, que pode ser, entre muitos caminhos possíveis, tomar o roteiro do ponto de vista de sua relação com os demais registros de processo do filme, sem retirar do roteiro sua função primeira – de imaginar e fazer imaginar filmes – escolhendo para isso o uso de vários recursos, entre eles o texto verbal escrito, mas não somente. Como seria então pensar o roteiro nessa relação com as diferentes formas de registro de processo que o acompanham? Como promover a conservação, o acesso e as discussões que tem por base o estudo desses materiais? Embasam a reflexão os estudos de arquivo e a crítica de processos de Cecília A. Salles (2010; 2017), os estudos de Vincent Colapietro acerca dos locais da criação e – em diálogo com Salles – a visão de continuidade do processo de criação (2016), e a pesquisa em andamento no âmbito do doutorado em Comunicação e Semiótica na PUC-SP com arquivos da criação de roteiros de seis cineastas brasileiros contemporâneos: Anna Muylaerte, Eliane Caffé, Hilton Lacerda, Karim Ainouz, Cao Guimarães e Alê Abreu.
Alguns cineastas desenvolvem um pensamento próprio sobre o que é roteiro e qual sua função em meio ao processo de criação de um filme. Nesta comunicação, comentaremos algumas questões acerca do roteiro observadas no estudo de processo de... more
Alguns cineastas desenvolvem um pensamento próprio sobre o que é roteiro e qual sua função em meio ao processo de criação de um filme. Nesta comunicação, comentaremos algumas questões acerca do roteiro observadas no estudo de processo de alguns cineastas brasileiros e que colaboram para uma visão ampliada da própria ideia de roteiro, não o limitando a uma forma, formato ou modelo, mas o relacionando, principalmente, a uma função, a uma espécie de mapa/guia da criação, e que em consequência disso passa por diversas alterações ao longo do processo de criação do filme, sendo uma peça, muitas vezes, reescrita antes, durante e depois das filmagens. Este modo de pensar o roteiro é parte inerente dos contextos de produção e das relações entre os sujeitos envolvidos nos processos estudados aqui, e não o único, mas um caminho por onde refletir acerca do roteiro, especialmente, como ferramenta de experimentação. Procuramos assim olhar para o roteiro enquanto construção e escolhemos as abordagens da complexidade, da cultura e da semiose peirceana via a crítica de processos de Cecília Almeida Salles para embasar a reflexão. Estão entre os cineastas brasileiros cujos processos são discutidos aqui Anna Muylaert, Karim Ainouz, Eliane Caffé, Petra Costa, Cao Guimarães e Hilton Lacerda. 

Palavras-chave: cinema; processo de criação; roteiro; cinema brasileiro; experimentação contemporânea.
Livro
Olivro Perspectivas Luso-brasileiras em Artes e Comunicação – Vol. II, é resultado do trabalho interinstitucional com articulação nacional e internacional. Essa obra afirma-se como um dos frutos das parcerias desenvolvidas no meio... more
Olivro Perspectivas Luso-brasileiras em Artes e Comunicação – Vol. II, é resultado do trabalho interinstitucional com articulação nacional e internacional. Essa obra afirma-se  como um dos frutos das parcerias desenvolvidas no meio acadêmico entre o Grupo de Pesquisa “Comunicação, Memória e Cultura Popular” da UEPB –Universidade Estadual da Paraíba (Brasil),  com a colaboração do CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação da Universidade do Algarve (Portugal) e o CIC – Grupo de Pesquisa “Comunicação, Imagem e Contemporaneidade” da UTP- Universidade Tuiuti do Paraná (Brasil) que trouxe à culminância a presente edição, como uma obra cuja organização  tem os nomes dos docentes pesquisadores Denize Araújo, Jorge Carrega e Ingrid Fechine. O texto é instigante e apresenta uma amplitude de temas bem relacionados às abordagens em torno das áreas de comunicação em suas várias modalidades e aspecto polissêmico, o que faz convergir para o texto as questões contemporâneas e ao mesmo tempo associadas ao contexto geral no que se refere aos aspectos da história, memória, cultura popular, cinema e outras artes. Os vários textos nos presenteiam com análises e discursões críticas permeando em suas narrativas a consciência de que mesmo na sociedade impregnada das tecnologias, a comunicação é matéria prima que nos indica que na comunicação humana ou facilitada pelas máquinas haverá, sempre permeando nesse cenário, pessoas e vida em sociedade. No conjunto da obra, com direção de criticidade em seus conteúdos, trazem os elementos inerentes a busca por uma sociedade democrática que precisa discutir questões ligadas a gênero, geração, raça, ética, estética, educação digital, desenvolvimento e inclusão social, a partir da relação arte e comunicação. Leitura fascinante, pelos assuntos abordados e pela demanda da sociedade por discuti-los e compreende-los. A linha narrativa nos remete a fazer uma retrospectiva e buscarmos no passado recente, o que se compreendia sobre comunicação e sua relação com a sociedade. As primeiras formulações teóricas em torno da comunicação, veiculadas entre 1960 e 1970, estavam muito diretamente ligadas às abordagens dos sistemas sociais e aos conceitos de psicologia de massa, e partiam da suposição de que um sistema de comunicação onipotente influía na vontade de receptores indefesos e desunidos socialmente. Essa concepção adquiriu uma conotação negativa ou como sinônimo de manipulação. Nesse livro, os trinta e
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seis autores sistematizaram nos vinte e quatro artigos, os resultados das investigações em torno dos efeitos e das manifestações associadas as mais variadas concepções de arte e comunicação, de seus públicos e efeitos sociais, usos e apropriações. A sociedade atual, vista de forma pós-moderna está mergulhada no universo imagético e digital, tendo como reflexo o modo de atuação dos sistemas interativos e virtuais, como produtoras de outras utilidades e sentidos. A partir dessa reflexão, encontramos no texto temas ligados a censura, à imagem fixa, como a fotografia e a imagem em movimento, sem deixar de contemplar, música, poesia e a prosa, analisados e o resultado são textos com conclusões que podem ser entendidos no sentido transdisciplinar. Vivemos a realidade onde prevalece turbilhões de informações e modos comunicativos que nos assediam no cotidiano. Do livro, ficou evidente que nesse contexto, emerge nos meios acadêmicos a necessidade de pesquisar e consequentemente a sistematizar esse momento histórico, social e político permeado pela comunicação. Momento que testemunhamos, como protagonistas e ao mesmo tempo observadores. Estamos meio perplexos, caminhamos juntos, mas não sabemos para onde vamos, qual nosso destino, enquanto sociedade. Pela velocidade com que tudo ocorre na sociedade em geral, parece que estamos numa infinita transição em todos recantos do mundo contemporâneo e vivemos realidades complexas. O livro Perspectivas Luso-brasileiras em Artes e Comunicação – Vol. II, apresenta um panorama no qual queremos destacar que estes assuntos representam contribuições efetivas para as formulações de propostas de estudos, para formulações de políticas públicas, vinculados à compreensão da arte e da comunicação como áreas correlatas e de interesse social e educativo. As discussões sobre estas questões ultrapassam o ambiente do texto e nos remetem a vida em sociedade considerada, de forma simplificada, como a sociedade da informação e do conhecimento. O conjunto da obra traz elementos críticos importantes que nos invoca a pensar em sua vocação educativa e problematizadora. Nesse sentido, podemos associar o conteúdo do texto ao pensamento comunicacional, dialógico e interacionista de Paulo Freire, quando afirmou que educação é comunicação, é diálogo na medida que não é transferência de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores, que buscam a significação dos significados.